“Sobre uma torre havia uma mulher, de túnica branca, penteando a cabeleira, que chegava aos seus pés. O pente soltava sonhos, com todos os seus personagens: os sonhos saíam dos cabelos e iam embora pelo ar.”
- Eduardo Galeano
Ninguém consegue obrigar o amor. É um caminhão sem freio na descida. Se você ama e é correspondido, parabéns, isso é bom, mas não é tudo. Não há beleza que segure. Não há inteligência que sustente.
Você pode ler Nietzsche, chorar ouvindo Chico Buarque, ter cabelo de comercial de shampoo, estar fazendo o doutorado. Não basta. Para segurar uma relação, é preciso mais. É preciso uma história e uma promessa de final feliz- no mínimo, um final interessante.
A gente se agarra nos sonhos, como se eles pudessem nos salvar de ser quem somos. Mas depois descobrimos que nem nós nos suportamos, quem dirá o outro pode conseguir? Tem gente que grita para o amor, “por que ele não vem de uma vez, quem ele pensa que eu sou?” Tem gente que chora muito, chora para ver se o amor sente pena e chega logo, porque sente a dor física e espiritual da espera- dura realidade: esperar dói.
Um dia, você não quer mais amar, porque já foi o tempo, porque todos os relógios viraram dias e você não precisa de mais ninguém para ser feliz. Quando não precisa mais de beleza, nem de inteligência, nem mostrar nada, nem obrigar ninguém a nada, aí você vê que o amor está chegando devagar, lento como sempre foi, sereno como deveria ser. E você percebe que parte da brincadeira está em sentir dor, como a piada do português que usa sapato apertado para sentir alívio quando tirar. Então, você entende que ninguém consegue obrigar o amor. Que é um caminhão sem freio na descida e que não há beleza que segure, nem inteligência que sustente. Amar dói, mas você aprende.

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